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Arte Looze – Polo Cerâmico do Alto do Ribeira


Sobre as criações As principais peças do Grupo Arte Looze são as travessas em formato das folhas natural da região que são utilizadas como molde para as criações, mas as […]

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Sobre as criações

Crédito da foto: Camila Pinheiro

As principais peças do Grupo Arte Looze são as travessas em formato das folhas natural da região que são utilizadas como molde para as criações, mas as criações também englobam peças utilitárias como moringas, pratos e copos. O processo começa na preparação da matéria-prima. O barro é seco, triturado e peneirado, depois é deixado de molho com água e moído em uma máquina chamada maromba pelos homens da família, até que adquira a consistência adequada para ser trabalhado. Tanto os homens como as mulheres dão ao barro a forma e a utilidade. Quando ocorre a produção de uma boa quantidade de peças, inicia-se a queima, que dura um dia inteiro. De forma geral, a cerâmica produzida no Vale do Ribeira tem origem guarani, etnia indígena presente na região. O lugar permaneceu isolado socialmente e economicamente do restante do estado de São Paulo, até meados do século XX, o que fez com que o saber fazer ancestral da cerâmica, entre outros, seguisse fortemente presente no cotidiano das pessoas. A produção da cerâmica é feita com a técnica de rolinho, rolete ou cordel. Os rolinhos, feitos a partir da manipulação do barro, são sobrepostos de acordo com o formato da peça que se deseja e depois são alisados com as mãos e ajuda de utensílios. Depois de moldadas, alisadas e secas, as peças são decoradas com a pintura feita de barro, de várias cores, e vão ao forno para queimar.

Crédito das fotos: Camila Pinheiro

Graças às mestras da região, o modo de fazer cerâmica ancestral foi preservado, sendo passando de geração em geração. A técnica da cerâmica que antes era utilizada para a produção de panelas para o cozimento, cuias para beber água, reservatórios de alimentos e água, urnas funerárias, ganhou com o tempo outros usos, sendo produzidas outras peças utilitárias, como gamelas, moringas e vasos, além de peças de decoração. O barro utilizado na produção das peças é retirado em barreiros da região, havendo uma preocupação em recuperar os barreiros para preservar o meio ambiente.

Sobre quem cria

O grupo Arte Looze é formado por duas famílias, uma com três integrantes e outra com dois. A artesã Diná e sua filha Jaqueline são de descendência alemã, vivem no bairro Mineiros e aprenderam a moldar o barro para a geração de renda. Para a modelagem das peças, os artesãos utilizam a técnica do rolinho, que é 100% manual, e também a olaria em torno mecânico. Para tingir a cerâmica, são utilizados tons naturais do próprio barro e, em alguns casos, também alguns tons de tinta.    

Crédito da foto: Camila Pinheiro

Sobre o território

O Grupo Arte Looze fica no bairro Mineiros, em Apiaí – um dos dezenove municípios que compõe o Vale do Ribeira. Sua cerâmica original, ainda que pouco conhecida no Brasil, representa uma das atividades artesanais mais genuínas do país. O Alto Ribeira é marcado pela presença da Serra do Mar e por uma paisagem montanhosa e exuberante, com a presença da Mata Atlântica. Hoje, a região, de modo geral, guarda cerca de 20% do que resta do ecossistema no território brasileiro, sendo, assim, a maior área contínua de Mata Atlântica preservada do país. Por sua importância, em 1999, a Reserva de Mata Atlântica do Sudeste, que abarca 17 municípios do Vale do Ribeira, foi considerada pela Unesco Patrimônio Natural da Humanidade. Nas 24 Unidades de Conservação que estão inseridas no Vale encontram-se espécies como o cedro, a juçara, canela, araucária, caxeta, entre outras.

Na região se encontra o maior número de comunidades remanescentes de quilombola de todo estado de São Paulo, além de comunidades caiçaras e guaranis, o que colore ainda mais o Vale do Ribeira com diversidade cultural e ancestral. São cerca de 80 comunidades caiçaras, cujas vidas se guiam pelos ciclos da Mata e seus recursos. As comunidades indígenas encontram-se em dez aldeias Guarani formadas por famílias dos subgrupos Mbyá e Ñandeva que vivem dentro ou próximas das Unidades de Conservação. Seu modo de vida é marcado pela relação Sagrada com o local que sustenta e constrói a ética com que se relacionam com os recursos naturais. Nesse contexto econômico a produção tradicional de cerâmica do Alto Vale do Ribeira desponta como uma atividade de baixo impacto ambiental que traz autonomia e reconhecimento para as comunidades.

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