A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Fernando César Ferreira Guimarães e Júlio César Guimarães


Fernando César Ferreira Guimarães e Júlio César Guimarães são autodidatas e se dedicam à arte na pedra sabão desde a década de 80. Produzem esculturas e objetos utilitários – vasos, porta-joias, jarros, pratos – feitos à mão e de beleza singular.

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Sobre as criações

Esculturas e objetos utilitários – vasos, porta-joias, jarros, pratos – feitos à mão com uma pedra conhecida popularmente como pedra-sabão, que é na verdade uma rocha encontrada nas camadas profundas da crosta terrestre, de superfície lisa e aveludada ao toque. Se tornou famosa nas mãos de um dos maiores artistas brasileiros, Aleijadinho. Escultor, entalhador, arquiteto e carpinteiro, no período colonial ele imprimiu na pedra sabão características que inauguraram o barroco brasileiro, um estilo exuberante, marcado pela presença abundante de detalhes e ornamentos.

O artista descobriu a pedra devido a sua maciez, no período em que – diagnosticado com uma doença grave que deformou os membros de seu corpo, sobretudo as mãos – passou a enfrentar dificuldade em talhar na madeira, material extremamente rígido, e incorporou em
seu trabalho a pedra sabão. O material possui dois diferentes graus de dureza. Esteatito, também conhecida por pedra talco é uma dessas variedades. Composta de diversos minerais mas sobretudo de talco, é uma rocha branda, de baixa dureza o que lhe confere a facilidade em manuseá-la. A outra variedade da pedra, com grau de rigidez bem maior, é usada pelos artesãos locais no feitio de tradicionais panelas de pedra, pois permitem altas temperaturas.

Em cores que vão do cinza ao verde e aceitando qualquer tipo de ferramenta, é esse o material sobre o qual os irmãos Julio César e Fernando Guimarães se debruçaram e construíram sua arte pelas últimas quatro décadas. Peças delicadas e com traços precisos são fruto de habilidade e paciência. Mesmo trabalhando juntos há tanto tempo, entregam características distintas em suas criações. ”A pedra sabão ela dá igual batata doce, debaixo da terra. Ela dá bruta, a gente pega por tonelada.”

A pedra é extraída em um pequeno vilarejo, Santa Rita de Ouro Preto, distrito de Ouro Preto, a cerca de 20km. Os artesãos compram por tonelada. De duas a três, o que lhes garante matéria- prima por cerca de um mês e rende um grande número de peças mas também uma perda significativa, devido a extrema maciez do material, o que ocasiona muitas quebras. O uso do torno (para a fabricação de alguns ítens, abaoloados) exige que o material seja manuseado com proteção (uso de máscara e roupa adequada) devido às fagulhas e ao pó produzido no processo, que podem estarem contaminados por anfibólios, um tipo de amianto, material cancerígeno. As demais peças são produzidas à mão, no canivete. “A gente recebe a pedra bruta, aí tem que cortar tipo um tubo, de vários tamanhos, para encaixar no torno. O carregamento chega tudo misturado, pedra sabão dura e mole, e de varias cores. A gente torna ela e começam a fazer as peças. Vai desbastando e produzindo.”

Até pouco tempo, a pedra sabão vinha sendo extraída em quantidades extraordinárias com destino à Europa, para a fabricação de lareiras, devido à excelente capacidade do material em se conservar bem em altas temperaturas – o que estava gerando um imenso prejuízo ambiental e colocando em risco sua presença. Graças à comunidade e ao apoio do poder público municipal, foi feito um acordo para que a extração aconteça apenas para uso no artesanato local.

Sobre quem cria

Fernando César Ferreira Guimarães e Júlio César Guimarães são autodidatas e se dedicam à arte na pedra sabão desde a década de 80. “A gente aprendeu mais por necessidade, vendo as pessoas vender e dando certo.” relata Fernando. “Fui olhando as pessoas fazendo, fui curioso, fui errando, errando até aprender.” Julio completa.

Tudo começou na época em que Fernando trabalhava com bóias e Julio fazia curso de mecânica no SENAI, uma formação que exige muita habilidade em desenho. Assistia na cidade às pessoas desenhando na pedra sabão e passou a fazer tentativas. Deu certo e não parou mais. Na época criou desenhos inspirados nas belas vistas panorâmicas de Ouro Preto, nos casarios, montanhas, e aos poucos outras referências foram inspirando a criação das peças. O irmão Fernando se interessou e seguiu o mesmo caminho. “Até a nossa caligrafia melhora. Ela (a pedra) é macia e dura, tem que fazer com firmeza.”

Juntos, inovaram a tradição local do artesanato em pedra sabão que antes era produzida em uma única cor, com uso do verniz dando o acabamento, ou ao natural. Foi então que eles lançaram dezenas de cores sobre os minuciosos desenhos que criavam, em uma explosão de possibilidades cromáticas. “Começou a mobilizar a feira todinha.” Recebem hoje uma enorme demanda de pedidos de encomendas, que quase não conseguem atender. Enviam peças para França, Alemanha, Bahia, Rio, São Paulo, e tantos outros lugares. Ensinam com a mesma devoção que se entregam a criação, dividindo ensinamentos com turistas de todo canto que chegam a cidade em busca da cultura local.

Legenda da galeria / Crédito das fotos: 1. Nome do fotógrafo / 2. Nome do fotógrafo

Sobre o território

Símbolo de Ouro Preto, a pedra sabão é o material que ajudou a esculpir a identidade e memória da região. Em frente à igreja de São Francisco de Assis é onde a Associação de Expositores do Largo do Coimbra (ADELC) se reúne, desde 1995, na conhecida Feirinha de
Pedra Sabão, para comercializar e expor suas obras. Conta hoje com mais de 50 bancas onde artesãos atendem turistas de todos os lugares do mundo. Dizem que o espaço era um “entreposto” para trocas e vendas de mercadorias e serviços desde 1824.

Julio e Fernando realizam venda on-line (sobretudo após a pandemia), participam de feiras nacionais mas é na popular “feirinha” de Ouro Preto onde concentram 80% de suas vendas. De lojistas a representantes comerciais e turistas, os públicos são diversificados, assim como a oferta de peças que eles apresentam e renovam regularmente.

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