A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Rodrigo Avalhaes Marçal


O Pantanal ganha vida através das mãos de um notável mestre, contornos fieis da fascinante fauna que se modela no barro in natura.

Mostrar contatos

AbrirFechar

Os contatos devem ser feitos preferencialmente via Whatsapp.

Telefone (67) 99105-1156
Contato Rodrigo Avalhaes Marçal
Campo Grande – MS

A Artesol não intermedeia relações estabelecidas por meio desta plataforma, sendo de exclusiva responsabilidade dos envolvidos o atendimento da legislação aplicácel à defesa do consumidor.

Sobre as criações

Retratos em barro de um bioma exuberante. A menor entre todas as unidades biológicas brasileiras é a maior planície de inundação do mundo. O Pantanal. Que ganha, através das mãos de um notável mestre, contornos fieis da fascinante fauna que se modela no barro in
natura. Animais pantaneiros. Entre eles a inconfundível figura da mãe onça com seus filhotes, repousando sobre o tronco de uma árvore.

Origem de tudo, a matéria prima em si, já é fruto de alquimia. Coletadas em Campo Grande e Rio Verde, as duas variedades de barro que se misturam para alcançar a proporção e o ponto ideal de queima, garantem a qualidade da cerâmica. Conhecimento que Rodrigo já herdou da mãe e do padrasto que experimentalmente testaram, erraram, acertaram, e desenvolveram uma técnica própria. “Julio e minha mãe aprenderam tudo na prática, nunca tiveram ninguém pra ensinar. Tudo isso a gente já tem em uma espécie de catalogo mental.”

A coleta é feita em uma propriedade particular, sede de uma olaria, a Cerâmica Campo Grande. Sempre foi ali onde buscaram argila, desde sua infância. Conhecem o dono, que cede o material. Cuidam para não causarem nenhum tipo de impacto ambiental. A quantidade é mínima, e a coleta feita sempre nas margens, de uma maneira que garanta não assorear o leito do rio. E assim a natureza se regenera.

Dessa forma permanecem fazendo. “Quando precisa a gente desce no córrego lá com o sarrafo e o saco de estopa e sobe com o saco nas costas. A madeirinha que a gente usa, a gente mesmo tem que ir na fazenda pegar.” Procuram, caídos ao chão, por pedaços de galhos, deixados para trás pela natureza. Recolhem o que já está derrubado, reúnem, trazem o próprio carro para fazer o transporte. A madeira é cortada nas medidas específicas. Rodrigo modela, deixa secar – de 3 a 4 dias, segue para o forno, faz a queima. Depois vem a pintura, a lavagem dos tocos e a união da cerâmica com a madeira. Um processo longo, em etapas, que toma entrega e tempo. Uma minuciosa tradição que se tornou um artesanato referencial no estado. Arte popular que reverencia o bioma que lhe permite ganhar vida.

Sobre quem cria

O percurso de Rodrigo Marçal com o artesanato praticamente se confunde com sua própria historia de vida. A mãe, Joana de Lurdes Avalhaes Marçal se iniciou no ofício em 1989. Rodrigo tinha 6 anos. O padrasto, Julio Cesar Nunes Rondão, era ceramista. A casa, um atelier preenchido por adultos e crianças, modelando juntos. Entre queimas rotineiras, Rodrigo foi criado. Aos 12 anos, emitiu o primeiro documento que legitimou o futuro ofício, a carteira de artesão. Passou a comercializar suas peças, com toda a limitação e falta de apoio da época, desvalorização e preconceito.

Fruto de devoção e resiliência extremas, a atividade passou a garantir a renda e por volta de 1990 mãe e padrasto se viram diante da decisão de deixarem os empregos formais, e serem sustentados exclusivamente pela tradição artesanal que se estabelecia. Apesar do legado familiar, Rodrigo sempre imprimiu características próprias em suas criações. Honrando as raízes, manteve a qualidade do acabamento, a tonalidade das cores, da forma, mas propôs melhorias. Na técnica, da modelagem, do uso das tintas, no tempo da produção. Em 1998 a mãe o padrasto começaram a dar aulas. Em parceria com o Sebrae e o Centro de Artesanato levaram para os interiores seu conhecimento, ensinaram mais pessoas, alcançaram mais artesãos. Em 2003 foi o Projeto Sapiquá Pantaneiro, que ensinava crianças pantaneiras. Tomados pelas lembranças das dificuldades lá do início, a família sempre buscou ensinar quem
tivesse interesse. O chamado por ensinar transformou Rodrigo em instrutor. Em um dos cursos, pela Fundação de Cultura em 2018 das 20 vagas abertas, receberam o dobro de inscrições: 10% curiosos, todo o restante artesãos em busca de aprimoramento. Quando a mãe Joana faleceu em 2012, Rodrigo, e outros familiares já garantiam a continuidade do legado familiar.

“Você aprende mais do que você ensina. Isso é o legal em ser um mestre”.

Rodrigo Avalhaes Marçal

Rodrigo Avalhaes Marçal / Crédito das fotos: Divulgação

Sobre o território

Na maior planície inundável do planeta, cenário de incrível biodiversidade, o Pantanal sul-mato-grossense é uma combinação harmoniosa entre água, fauna, flora e gente. Um bioma sensível, onde o pulso das águas dita o ritmo da vida, dinâmico, complexo e delicado. Não só
pelas suas belezas naturais como também pelo papel que desempenha na conservação da biodiversidade – esse imenso reservatório de água doce responde pela estabilização do clima e conservação do solo – o bioma foi decretado Patrimônio Nacional, pela Constituição de 1988, e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, em 2000.
Rodrigo Avalhaes Marçal é natural de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. É de lá que honra e homenageia, através de criações profusas em sensibilidade, a potência e plenitude da vida selvagem. “A inspiração das minhas peças é a própria natureza, o bicho. Meu pai dizia: Eu não quero fazer uma escultura, eu quero fazer um retrato.”

Membros relacionados