A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

ASCCUNA – Associação Comunitária Cultural de Natividade


Sobre as criações As finas linhas douradas que aparecem tecidas em peças cheias de história, são confeccionadas com a técnica conhecida como filigrana. Desenvolvida pelas civilizações mediterrâneas em tempos remotos […]

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Sobre as criações

As finas linhas douradas que aparecem tecidas em peças cheias de história, são confeccionadas com a técnica conhecida como filigrana. Desenvolvida pelas civilizações mediterrâneas em tempos remotos e levada à Portugal por colonizadores fenícios, chegou ao Brasil na época áurea da mineração. 

Em Natividade, a produção da refinada joalheria sempre esteve relacionada à exploração do minério na região e segue assim até os dias de hoje. Porém, ao longo das décadas, a técnica da filigrana passou a integrar a cultura local a ponto de tornar-se parte da sua identidade, assim como sua arquitetura e festejos populares. 

O ouro, extraído das serras vizinhas, é purificado pelos garimpeiros e preparado em forma de pó ou grânulos. Nas oficinas é derretido com auxílio de um maçarico e derramado em moldes, de onde sai em forma de lingueta. Passando para laminação, essas linguetas são transformadas em lâminas delgadas que servem para a preparação do fio. 

Os fios são torcidos dois a dois, o que confere a lateral serrilhada, característica da filigrana. Com muita precisão e paciência, os caixilhos das jóias são “bordados” com esses fios, que são soldados junto a outros elementos da composição.

A criação das peças entrelaça a tradição e inovação, uma vez que peças clássicas, como corações, flores e crucifixos, aparecem ao lado de coleções temáticas que sintetizam a riqueza cultural e natural de Natividade. 

Sobre quem cria

A Associação Comunitária Cultural de Natividade, a ASCCUNA, foi criada em 1992 com o objetivo de colaborar com a preservação do patrimônio cultural de Natividade – TO. A Ourivesaria Mestre Juvenal é um projeto prioritário nas ações da ASCCUNA, onde se alia resgate, preservação, geração de renda e sustentabilidade.

O início dos trabalhos da oficina educacional começou em 1996 através de uma parceria da entidade com dois artesãos mestres (Bisa e Wal) para o repasse do saber da confecção das tradicionais jóias a novas gerações. 

Ao longo dos anos a associação teve inúmeros apoios de entidades parceiras e em 2004 participou do Monumenta – programa de preservação do patrimônio cultural, parceria da UNESCO com a Fundação Cultural do Tocantins. Durante este período, foram organizadas linhas de produtos e desenvolvida uma estratégia de marketing, além de criar um site na web. Ainda através do Programa Monumenta foi restaurado em 2009 o imóvel público da antiga Câmara e Prefeitura Municipal para abrigar o Centro de Artesanato e Apoio ao Turista onde a Ourivesaria Mestre Juvenal seria instalada – o que acabou não ocorrendo – estando o prédio sem utilização até a presente data.

Através dos cursos e da produção, a Ourivesaria Mestre Juvenal mantém e transmite o modo de fazer das tradicionais jóias de Natividade, utilizando principalmente a técnica da filigrana com influência portuguesa e africana a jovens da comunidade, priorizando os mais carentes.

ASCCUNA / Crédito das fotos: Marco Jacob

Sobre o território

Localizada ao pé da serra de Nossa Senhora de Natividade, a cidade mais antiga do estado do Tocantins conserva em seus casarios e no traçado das ruas as características do estilo colonial. Natividade, fundada em 1734, teve sua origem marcada pela mineração de ouro, que deixou fortes marcas na cidade e arredores. Foi um dos núcleos de garimpo mais importantes no séc. XVIII, porém a partir de 1770 a cidade passou por quase dois séculos de relativa obscuridade. Embora a produção de ouro jamais tenha cessado, nesse período desenvolveu também a produção agrícola e a pecuária. 

Seu centro histórico, tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1987 pelo IPHAN, abriga a Igreja de Nossa Senhora da Natividade, Igreja de São Benedito e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Ainda hoje, garimpeiros trabalham na região retirando pequenas quantidades de ouro nas encostas das serras vizinhas. Esse ouro é quase todo destinado à produção das joias de Natividade, símbolo das complexas relações e das belezas de sua história. 

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