A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Mestre Mazinho Santana


Sob forte influência do pai, Josimar Santana da Silva, conhecido como Mestre Mazinho, ainda criança encontrou nas sobras de madeira descartadas pelo pai seu impulso artístico. Em suas pequenas mãos, os resíduos ganhavam vida. “Com os restos de madeira eu tentava fazer alguma coisa diferente pra eu e minhas irmãs brincarmos”.

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Petrolina – PE

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Sobre as criações

Sob forte influência do pai, Josimar Santana da Silva, conhecido como mestre Mazinho, ainda criança encontrou nas sobras de madeira descartadas pelo pai seu impulso artístico. Em suas pequenas mãos, os resíduos ganhavam vida. “Com os restos de madeira eu tentava fazer alguma coisa diferente pra eu e minhas irmãs brincarmos”. A criatividade fértil não demorou muito a conduzi-lo para a criação de peças autorais, que hoje segue em duas linhas de trabalho: a arte sacra, onde exalta a beleza do Divino Espírito Santo e outras figuras e a arte popular, onde se dedica a esculpir as brincadeiras da infância: emblemáticas peças de ciranda e brincadeiras de roda, um trabalho lúdico, brincante, cujo resgate é valioso:

“Hoje as crianças não sabem mais o que é isso, só conhecem de ver em desenho, mas não fazem mais. É bom levar pra casa das pessoas em forma de arte”.

Quase todas as peças são produzidas em madeira umburana, de forma ecologicamente correta. Cerca de 90% do trabalho dos artesãos da região é feito a partir do aproveitamento de madeiras rejeitadas: áreas desmatadas pra fazer roça ou obras de infraestrutura. Os artesão vão recolhendo e utilizando. Mazinho aproveita o máximo possível, pra não desperdiçar. Na maioria das vezes a madeira é umburana, boa, resistente pra arte, “não dá bicho”. Rejeita cerca de 2 a 3 cm da parte de fora (que se  “desmancha”) e trabalha com o “inhame”, que é a parte de dentro da umburana.

Sobre quem cria

Mazinho nasceu e se criou na roça. O pai, Clóvis Antunes da Silva, lidava com madeira, confeccionando móveis rústicos. O menino, ao lado, ainda pequeno, juntava os pedaços de madeira desprezados pelo pai. Apenas brincava. Passou a estudar, começou o trabalho na roça, mas sempre pensando na madeira que tanto gostava de desvendar. Com facilidade para se inspirar, sua mente não parava e assim é até hoje: “Posso estar viajando, posso estar em casa. A cada momento surge uma coisa diferente na minha cabeça”. Levava algumas peças para a escola, mostrava às pessoas, sempre elogiado. Certo dia apresentou o trabalho ao mestre Roque Santeiro, conterrâneo que lhe encorajou a expor na Fenearte, sugerindo que Mazinho buscasse apoio na prefeitura. Seguiu a orientação e pouco depois estava lá, em sua primeira feira, considerada a maior de artesanato da América Latina. Há 17 anos atrás, em uma de suas primeiras edições. 

De lá pra cá seguiram-se muitos anos de participações através da prefeitura. Após 4 anos, foi convidado a expor pelo PAB (Programa do Artesanato Brasileiro) pelos anos seguintes, quando em 2013 foi reconhecido com o título de Mestre pelo governo do estado e passou a estar presente na Alameda dos Mestres. A singularidade de seu trabalho autoral fez com que ganhasse destaque entre lojistas, galeristas e colecionadores.

Hoje Mazinho dá oficinas em escolas, aulas em projetos e se realiza ao ensinar aprendizes e jovens promessas, como o sobrinho, “artista de mão cheia” que passou um tempo em São Paulo mas voltou e está trabalhando novamente com ele. “A arte é uma coisa que está no sangue, e ele tem isso, mas ainda não sabe”. Sempre deixa que eles se afastem e retornem: “Todo esse pessoal jovem é assim”. É grato em ensinar o que sabe fazer, transmitir para outras pessoas. É um trabalho único, assim como o trabalho de quem aprender também será único”. E sempre diz: “Vou ensinar a técnica, a criatividade é sua, use-a!” 

Mazinho não teve um mestre e preserva o sonho de ter um espaço onde possa ensinar crianças, alunos que queiram aprender. Deixar discípulos, transmitir seu trabalho a outras pessoas, e também crescer dentro da sua arte, afinal:

“Isso também é crescer, pois é crescer junto”.

Ainda deseja alcançar um estágio em que tenha dificuldade em entregar encomendas de tantos pedidos que tenha para atender. 

Sobre o território

Foto de divulgação Artesol

Nascido no município de Lagoa Grande no ano de 1973, Mazinho não abandona o forte vínculo com a terra natal. Mas a medida que seu trabalho foi crescendo, mudou-se para Petrolina, cenário de mais oportunidade, que seu impulso criativo ganhou o mundo. Sabendo se tratar de um setor importante para a economia da cidade, as duas prefeituras sempre se empenharam em desenvolver um trabalho de apoio e divulgação sólido ao artesanato. Mesmo com mudanças eleitorais, essa política de incentivo nunca foi afetada.

Seu atelier é em uma casinha alugada, pequena. Gostaria de ter espaço para ensinar alunos, crianças da cidade, mas ainda não tem espaço suficiente para isso. Segue na expectativa que a prefeitura reforme a oficina que cedeu para os artesãos trabalharem, atualmente em um estado de conservação ruim.

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