A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Associação das Artesãs Pampa Caverá


Sobre as criações Paisagem longa, na ondulação das coxilhas longas… Debruns de caponetes… Longes… Oh! linhas suaves, como se houvesse em cada coxilha uma saudade do chão e alvos capões […]

Mostrar contatos

AbrirFechar

Os contatos devem ser feitos preferencialmente via Whatsapp.

Rua Demétrio Riberio, 50, CEP 97590-000

A Artesol não intermedeia relações estabelecidas por meio desta plataforma, sendo de exclusiva responsabilidade dos envolvidos o atendimento da legislação aplicácel à defesa do consumidor.

Sobre as criações

Paisagem longa, na ondulação das coxilhas longas…

Debruns de caponetes…

Longes…

Oh! linhas suaves, como se houvesse

em cada coxilha uma saudade do chão

e alvos capões de nuvens muito brancas

na pampa azul de um infinito azul…

Querência, de Augusto Meyer.

O cenário do pampa gaúcho é a principal inspiração do grupo Pampa Caverá, cuja produção tem como base os princípios da sustentabilidade. O fio utilizado pelas artesãs é a lã natural de ovinos e o tingimento é realizado com produtos naturais. As artesãs trabalham com várias técnicas artesanais tradicionais da região, como tecelagem com lã, crochê, tricô, modelagem em biscuit, trama em couro, marcenaria e joalheria, criando coleções inspiradas nas belezas naturais da região. Na última coleção, Fauna e Flora, foram criados cerca de 90 produtos, entre eles banquetas e almofadas feitas com lã. Um exemplo, é a banqueta carqueja, em que a lã é tingida com a própria erva do campo. impregnando o cheirinho desta erva.

Associação das Artesãs Pampa Caverá / Crédito das fotos: Divulgação

Sobre quem cria

Constituída em 2012, a Associação Artesanato Pampa Caverá foi composta por dez artesãs fundadoras que passaram a agregar eventualmente outras artesãs da região, quando necessário. Em meados de 2011, as artesãs começaram a participar de diversas ações de qualificação e formação apoiadas pela Fundação Bradesco que tinha como intuito oferecer mais subsídios para que elas pudessem se posicionar no mercado. Participaram também de oficinas de criação de coleções que foram construídas de forma coletiva tendo como inspiração o contexto cultural das gaúchas, bem como as cores, formas, aromas e histórias dos pampas.

O contexto de degradação do pampa foi o principal motivador para a criação da coleção Fauna e Flora que dá visibilidade para a paisagem. Os produtos foram inspirados nas árvores, plantas e animais da região, como a almofada Espinilho que faz referência à árvore típica do pampa, a almofada Tuco-Tuco, a banqueta Serra do Caverá, entre muitos outros. Assim, as artesãs que antes trabalhavam sozinhas, passaram a criar em conjunto, ganhando assim mais força e podendo contribuir para a sensibilização dos consumidores em relação ao pampa, o que rendeu à associação importantes prêmios.

Associação das Artesãs Pampa Caverá / Crédito das fotos: Divulgação

Sobre o território

No município de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul, se encontra a Serra do Caverá, uma das paisagens representativas do pampa gaúcho. Coberta por pastagem natural, o pampa é um bioma encontrado apenas no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina. Ocupa cerca de 63% do território do Rio Grande do Sul com paisagens de serras a planícies, morros rupestres a coxilhas que são colinas cobertas por pastagens.

No Pampa também se encontra a maior parte do aquífero Guarani, além de ser uma referência central para a cultura do povo gaúcho. Mas mesmo com sua grande importância, o bioma sofre com o avanço da monocultura e do agronegócio que vem produzindo uma progressiva descaracterização do território. A falta de uma legislação específica que garanta a sua proteção facilita a conversão dos 36% restantes de áreas de vegetação remanescente para monoculturas de exportação.

Nesse contexto, os povos e as comunidades tradicionais indígenas, quilombolas, ciganos, pecuaristas familiares, pescadores, entre outros que vivem no bioma, têm sofrido com a ameaça a seus territórios, modos de vida e desrespeito a seus direitos. Suas trajetórias e culturas carregam consigo histórias de luta, resistência e cuidado com o lugar onde vivem. A Serra do Caverá, por exemplo, é uma região conhecida como o santuário do caudilho maragato Honório Lemes, apelidado de “O Leão do Caverá” que lutou no Caudilhismo, na década de 1920. Conta-se, também, que o território era habitado pela etnia Minuanos, índios dos campos, conhecidos por seu temperamento mais guerreiro.

Membros relacionados