A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Povo Juruna da Volta Grande do Xingu


Produção artesanal em miçangas com motivos da fauna e flora local e tecidos pintados à mão com os grafismos tradicionais marcam uma nova fase de retomada e revitalização da cultura Juruna.

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Contato Rafaella de Lima
Terra Indígena Paquiçamba e Terra Indígena Juruna – Km 17

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Sobre as criações

Ranielly Juruna / Crédito da foto: Yasmin Alves

Por meio de intercâmbios, iniciados em 2011, os Juruna buscam trocas de experiências para seu fortalecimento cultural, permitindo um processo de retomada da língua Juruna, assim como de outros conhecimentos tradicionais, como a pintura corporal, a produção de artefatos e a fabricação de caxiri (bebida fermentada tradicional feita de mandioca). Essas ações são realizadas e mantidas no âmbito dos projetos do componente indígena do licenciamento ambiental da UHE Belo Monte, desde sua construção. 

No âmbito desses projetos foi iniciada a curadoria da produção artesanal das comunidades Juruna com o designer Renato Imbroisi e com a pesquisadora e professora da UFPA Ida Hamoy, além de extensa equipe de colaboradores, a fim de promover a preservação e valorização da cultura Juruna visando a sustentabilidade da produção de artefatos culturais e geração de renda para as famílias. Nesse projeto são realizadas oficinas de capacitação técnica e criação de novos produtos que proporcionaram às anciãs e jovens, que em sua maioria realizam a produção artesanal na comunidades, um espaço para valorização de sua cultura tradicional e de criação artística. Foi por meio dessas ações que a produção artesanal das peças em miçangas foi ampliada e acrescida de novas propostas conceituais que mesclam o grafismo tradicional e motivos da fauna e flora local. Além das peças em miçangas, as artesãs Juruna estão produzindo tecidos estampados, utilizando-se de técnicas tradicionais de pintura, oriundas da tradição do grafismo corporal aprendida com os Juruna do TIX, e também utilizando a técnica de estêncil, que facilitou a produção e ampliou a adesão dos jovens Juruna, estimulando a criação artística e difundido a produção cultural entre as gerações de Juruna nessas comunidades. 

Sobre quem cria

Jesiane Juruna / Crédito da foto: Yasmin Alves

Crédito das fotos: Yasmin Alves

Os Juruna, também conhecidos como Yudjá, são um povo da família linguística Juruna, tronco Tupi, conhecidos como exímios canoeiros e que ocuparam desde tempos imemoriais toda a bacia do Rio Xingu, um tributário da margem direita do rio Amazonas. Atualmente o povo Juruna da região da Volta Grande do Xingu (VGX) ocupa a Terra Indígena Paquiçamba, habitando seis aldeias próximas às margens do rio Xingu. Já os Juruna da Área Indígena do Km 17 se localizam entre as cidades de Altamira-PA e de Vitória do Xingu-PA e possuem uma recente Reserva Indígena localizada no município de Porto de Moz. Os Juruna são povo que ocupam historicamente toda essa região do Pará e têm sua trajetória marcada pelo contato com a sociedade envolvente, desde os períodos de exploração da borracha na Amazônia, até os projetos de desenvolvimento mais recentes, como a Rodovia Transamazônica e a Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Sua história enquanto povo indígena é marcada pela luta pelo direito à terra e pelo reconhecimento da identidade indígena. 

Atualmente os Juruna dessa região têm como língua corrente o português, embora realizem atividades para aprendizado da língua indígena e transmissão de saberes tradicionais, por meio de intercâmbios culturais com os parentes Juruna/Yudjá do Território Indígena do Xingu, localizados no estado do Mato Grosso, com os quais formavam um único povo na região do baixo e do médio Xingu, até o início do século XX.  

Sobre o território

Crédito da foto: Yasmin Alves

Com aproximadamente 130 km de extensão, a Volta Grande, caracteriza-se como um grande desvio no curso do rio antes de atingir a planície amazônica. A VGX é o território de ocupação tradicional dos Juruna com quem também dividem essa ancestralidade com o povo indígena Arara, localizados na Terra Indígena Arara da VGX na margem oposta. A VGX é uma região amazônica de clima tropical, quente e úmido, com temperaturas médias entre 25ºC e 27ºC. Há nela uma presença marcante de ilhas, cachoeiras, corredeiras e pedrais, formados em decorrência de diversos eventos geológicos que propiciam a formação de uma ampla gama de ambientes aquáticos e, consequentemente, uma grande riqueza faunística. Esses ambientes passam por grandes transformações ao longo do ano, em função das diferenças no volume de água e das áreas inundadas. 

Fazem parte dessa etnia e representam o artesanato Juruna: 

  • Terra Indígena Paquiçamba 
  • Aldeia Paquiçamba / Associação Indígena Korina Juruna da Aldeia Pakissamba – AIKOJUPA 
  • Aldeia Furo Seco / Associação Indígena Juruna Unidos da Volta Grande do Xingu – AIJUVX 
  • Aldeia Mïratu / Associação Yudjá Mïratu do Xingu – AYMIX 
  • Aldeia Lakariká / Associação Indígena Yudjá da aldeia Lakariká – KUMAREHA 
  • Aldeia Pupekuri / Aldeia Jaguar 
  • Área Indígena Juruna do km17/ Reserva Indígena Boa Vista 
  • Aldeia Boa Vista / Associação do Povo Indígena Juruna KM 30 

Crédito das fotos: Yasmin Alves

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