Mestre Zé Lourenço 

José Lourenço Gonzaga, conhecido como Zé Lourenço, nasceu em Juazeiro do Norte, Ceará. Neto de Pedro Gonzaga, tipógrafo na antiga tipografia São Francisco (hoje renomeada de Lira Nordestina), Zé cresceu entre letras, gravuras e papéis. Começou na xilogravura na década de 1980, ao perceber que faltavam xilógrafos para criar as capas de cordéis.

Desde 1996, é diretor artístico da tipografia Lira Nordestina, cargo que ocupa de forma voluntária. Ao longo de todos esses anos, participou de inúmeras exposições nacionais e internacionais e tornou-se Mestre da Cultura do Ceará e Tesouro Vivo da Cultura. Também se dedica ao ensino da xilogravura e tipografia, ministrando aulas e oficinas em diversas instituições e projetos.

Nesta entrevista, Zé Lourenço fala um pouco sobre sua trajetória e desejos para o artesanato brasileiro.

Crédito da foto: Theo Grahl

O que artesanato representa na sua vida e na história da sua comunidade?

A gente aprende muito com a xilogravura através das oficinas. E foi também através dela que sustentei meus filhos. Às vezes o pessoal chega e diz ‘ah, isso é bom, uma terapia’. Não, pra mim não é terapia, é um trabalho. Daqui que eu sustento a minha família, daqui que eu criei meus filhos.

Isso representa muito para mim. Hoje eu não me vejo sem estar fazendo isso. Eu estou ganhando pra fazer o que eu gosto de fazer.

Como você vê o papel de um mestre e de uma liderança?

Eu vejo que o principal é repassar os conhecimentos e divulgar a arte. O principal é não deixar morrer. Você está sempre buscando soluções para que a gente possa criar mais produtos, feiras e eventos, porque a gente tem que vender esse produto, infelizmente a gente não vive sem vender nada.

Hoje a gente dialoga com tudo. Ao mesmo tempo que a gente está trabalhando uma coisa antiga na tipografia, fazendo uma coisa manual, a gente tem que usar os meios de comunicação para a gente poder espalhar mais rápido essa grande produção.

Crédito da foto: Theo Grahl

Qual é a importância da organização em rede?

A gente vê aquela exposição que a gente participou em 2024, até hoje foi uma das exposições mais bonitas que eu já vi, lá de São Paulo. Então eu penso que tem que ter os parceiros e as parcerias. Muitas vezes, nem só financeira, mas de divulgação, de mostrar.

Qual futuro você deseja para o artesanato brasileiro e para as novas gerações de artesãos e artesãs?

Eu acho que hoje a gente deve envolver as futuras gerações no artesanato. Eu acho que pelo menos essa parte do cordel, a xilogravura, é uma arte bem antiga, que a gente não tem nem precisão de dizer quando começou. Mas é uma arte que eu acredito que vai se manter por muito tempo.

Eu acho que tem que se trabalhar, principalmente, a questão das oficinas de inovação. Tem técnicos e designers que criam e dialogam com outro tipo de visão de inovação, que a gente não tem como artesão. Eu acho que tem que trabalhar muito isso, até para incentivar os artesãos que a gente tem hoje lá na Lira.

Temos que trabalhar muito nossa madeira, a emburana, que é a principal madeira que a gente tem. Eu acredito que todas as associações têm que se unir nesse sentido, para a gente fazer um plantio.

Crédito da foto: Theo Grahl


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