A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Cooperativa Art Ilha


Há quase um século, gerações de bordadeiras da Ilha do Ferro se dedicam ao singelo ritual de imprimir no linho branco as formas do bordado Boa Noite.

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Pão de Açúcar – AL

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Sobre as criações

Crédito da foto: Tom Alves

Há quase um século, gerações de bordadeiras da Ilha do Ferro se dedicam ao singelo ritual de imprimir no linho branco as formas do bordado Boa Noite. O nome do ponto faz referência a uma flor local que inspira trabalhos sofisticados. A técnica do bordado quase extinta no Brasil, devido o tempo necessário na produção, consiste em desfiar o tecido e recompô-lo em faixas com motivos florais.

Entre as peças criadas com as faixas bordadas estão almofadas, toalhas de mesa e de lavabo, jogos americanos, guardanapos, colchas, cortinas, marcadores de livros. Através de uma intervenção do Sebrae, foram criadas três linhas de produtos para cama, mesa e banho: Alagoas do Açúcar – em tons de branco, bege e açúcar mascavo com desenhos simétricos e mais clássicos; Alagoas das águas – em branco e lavanda e linhas limpas e suaves; e Alagoas do Folclore – com peças mais coloridas e formas lúdicas.

Crédito das fotos: 1. Divulgação Artesol / 2. Tom Alves / 3-4. Divulgação Artesol

Sempre rigorosamente geométrico e seguindo a trama dos tecidos, o bordado Boa Noite apresenta-se em 4 diferentes composições: Boa Noite Simples, Boa Noite Cheio, Boa Noite de Flor e Boa Noite Variações.

Sobre quem cria

Crédito da foto: Tom Alves

Os moradores da Ilha do Ferro, através do mergulho criativo, criaram estratégias para enfrentar os desafios sociais vividos pelas comunidades ribeirinhas do São Francisco. Além do artesanato e da arte popular, os locais vivem da pesca de subsistência e da agricultura.

Em 1998, com o apoio da Artesol, algumas mulheres bordadeiras se organizaram em uma cooperativa. Hoje, são 40 artesãs cadastradas que trabalham individualmente, mas compram o material coletivamente. Assim, uma parte da venda dos produtos é revertida para compra de novos materiais e manutenção da sede. Embora o trabalho seja individual, elas se juntam nas calçadas ou nas casas para bordar, trocar histórias, apoio e impressões do cotidiano.

Sobre o território

Crédito da foto: Tom Alves

A Ilha do Ferro é um pequeno vilarejo banhado pelo Rio São Francisco no sertão alagoano. Fica a 18 quilômetros do município de Pão de Açúcar e geralmente é acessado por barco, tendo em vista a precariedade da estrada. O cenário à beira-rio parece ter saído de um filme. Ainda há carros de boi, crianças brincando na rua, lavadeiras lavando suas roupas no São Francisco, artistas entalhando a madeira e bordadeiras sentadas na calçada.

Ao todo, o povoado reúne cerca de 200 famílias que, mesmo à beira de um dos maiores rios do País, enfrentam desafios comuns dos moradores do semiárido: dificuldade para produção de alimentos por questões climáticas, falta de empregos formais, analfabetismo e dificuldades estruturais como falta de estradas e saneamento básico. Apesar dessas questões, os moradores encontram na arte e na criação uma forma de lidar com as ausências de estrutura e recursos. Além do bordado, o povoado é conhecido por seus artistas populares que tem ganhado notoriedade nacional por conta do rico trabalho de entalhe de galhos de madeira para produção de móveis e esculturas.

Já a tradição de fazer costura, como elas próprias dizem há muito tempo, representa um saber tradicional que é transmitido de geração em geração, de mãe para filha. Algo que faz parte da cultura material da mulher nordestina do Sertão, que expressa valores, condutas e identidades.

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