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Renda de Bilro de Poço Redondo – As Filhas da Renda


Sobre as criações De herança portuguesa, a técnica de tecer com bilros instalou-se em nosso território há mais de quatro séculos. Presente especialmente em cidades litorâneas, cada localidade desenvolveu características […]

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Sobre as criações

De herança portuguesa, a técnica de tecer com bilros instalou-se em nosso território há mais de quatro séculos. Presente especialmente em cidades litorâneas, cada localidade desenvolveu características próprias, utilizando a técnica e explorando os materiais e instrumentos de maneira única. 

A almofada cilíndrica em Poço Redondo é recheada com palha ou folha de bananeira. É disposta em um suporte de madeira que alinha o trabalho à altura ideal para o corpo. A rendeira senta-se em frente à almofada que sustenta o risco e da qual pendem os bilros presos pela linha que formará a renda. Na dança dos bilros regida pelas hábeis mãos, os alfinetes vão definindo o caminho labiríntico, segurando o trançado que ganha forma. Os bilros podem ser feitos inteiramente de madeira, no torno, ou montados com semente de buri, uma árvore da região. 

Nascem desse baile toalhas ou centros de mesa, blusas, vestidos e acessórios como bolsas, brincos e colares. 

Sobre quem cria

Ainda que o bilro seja um trabalha tradicional da região, sendo ofício de inúmeras mulheres há mais de um século, foi há pouco mais de 13 anos que o grupo As Filhas da Renda formalizou-se. Em 2003, através de um curso oferecido pela Secretaria de Inclusão Social, as mulheres de Poço Redondo que ainda não eram familiarizadas com a técnica aprenderam a arte dos bilros. Desde o início contam com o apoio do Sebrae e já participaram de projetos fomentados pelo Instituto de Pesquisa em Tecnologia e Inovação (IPTI) como o Origine-SE com a participação do designer Sérgio Mattos, além do Projeto Sertões de Zizi Carderari. 

Hoje as cinco rendeiras que constituem o grupo reúnem-se semanalmente para rendarem juntas, trocar experiências e discutir as atuações do grupo.

Sobre o território

No semiárido Sertão Sergipano encontra-se Poço Redondo. A 187 quilômetros de Aracajú, foi em meio da caatinga às margens do São Francisco que os cangaceiros fixaram estada e foram acobertados pela população por mais de 10 anos – de 1929 a 1938. Foi ainda na conhecida Grota do Angico, território de Poço Redondo, que Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros foram mortos em 1929. Por conta disso a cidade é conhecida como Capital do Cangaço e recebe milhares de turistas do Brasil e do mundo interessados em conhecer de perto essa história. 

As rendeiras relatam um pouco dessa convivência, as mais velhas contam que a fuga era constante. Rendavam às margens do rio até ouvirem o aviso: – lá vem Lampião! Aí elas voltavam pra cidade com as almofadas. Quando ouviam: Lampião está na cidade! – elas voltavam pra beira do rio. E assim passavam os dias, buscando um local tranquilo para realizarem o trabalho que há muitas décadas é complemento de renda de muitas famílias.

Com uma população de 34.147 habitantes, o município tem inúmeros atrativos turísticos. Além da paisagem garranchenta da caatinga banhada pelo ilustre São Francisco, tem a Serra da Guia, cachoeiras, furnas, piscinas naturais, sítios arqueológicos e paleontológicos. Conta ainda com inúmeros folguedos populares, tais como a cavalhada, vaquejada, samba de coco, pastoril, ternos de zabumba, bandas de pífano, grupos de teatro e grupos de Xaxado.

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