A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Associação das Artesãs do Pontal do Coruripe


A técnica do trançado ganha formas e cores muito especiais com o trabalho das artesãs de Coruripe, com a palha de Ouricuri, palmeira nativa da caatinga.

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Sobre as criações

Foto de divulgação Artesol

Seu trançado
brinca com as cores do mar
e das Alagoas tão cheias de cor
nas noites iluminadas 
a luz do luar faz pousar desenhos
nos ares do Pontal
cor de palha, textura de linho,

som de espuma, saudades de mais…

Raquel Lara Rezende

A técnica do trançado ganha formas e cores muito especiais com o trabalho das artesãs de Coruripe com a palha de Ouricuri, palmeira nativa da caatinga. As mulheres produzem grande variedade de objetos com a palha, desde cestaria e utensílios de cozinha, até peças decorativas, como mandalas e luminárias. O tingimento da palha também é feito pelas artesãs. A tradição do trançado com essa palha foi passada às mulheres quando ainda crianças. Assim, entre as brincadeiras e os estudos, o dia-a-dias das das crianças, que hoje são artesãs, foi sendo colorido com o fazer dos trançados.

Exemplo de manejo de matérias-primas renováveis com o saber tradicional, o processo de produção possibilita o desenvolvimento sustentável que gera renda para a comunidade. O artesanato com a palha de Ouricuri garante o cuidado com o ecossistema local que pode ser facilmente degradado com práticas exploratórias. Assim, o trabalho das artesãs de Coruripe é primordial para o meio ambiente e para as futuras gerações.

Sobre quem cria

Ouricuri do Pontal do Coruripe / Crédito da foto: Michel Rios

A associação surgiu em 1999, mas o trabalho com a palha da de ouricuri já existia há muitos anos. A motivação para a formalização veio com uma grande encomenda que algumas artesãs receberam. Dezenove mulheres então se juntaram para atender ao pedido e buscaram apoio na Prefeitura e no Sebrae de Alagoas, que as auxiliaram nesse processo. O prédio, onde funcionam hoje a oficina e a loja, foi cedido pela Usina Coruripe, uma parceira da associação. A partir do Sebrae, as artesãs tiveram acesso a importantes capacitações, como de precificação e de criação de novos produtos.

Sobre o território

Foto de divulgação Artesol

A palha de Ouricuri é trançada no balanço das ondas de Pontal do Coruripe, no município de Coruripe, nome também do rio que deságua no oceano Atlântico. Coruripe é uma palavra indígena da etinia Kaeté. Tratava-se de uma etnia bem numerosa de valentes navegantes que vivia na margem esquerda do Rio São Francisco.

A história do estado de Alagoas anda de mãos dadas com a história da invasão do Brasil pelos portugueses. E Coruripe é conhecida por um episódio que dizem ter desencadeado um grande massacre do povo Kaeté. Conta-se que em 1556, o navio que levava o bispo dom Pero Fernandes Sardinha para Portugal naufragou de frente para a enseada, conhecida hoje como pontal do Coruripe. O bispo teria sido morto e devorado pelos kaetés que eram uma etnia antropófoga. Em retaliação, os portugueses fizeram uma expedição guerreira que dizimou a tribo, escravizando os poucos sobreviventes. Após esse triste episódio, outras etnias sofreram com a guerra de extermínio, como os kariris, potiguaras, xocós, abacatiaras, vouvés, romaris, entre tantas outras.

Mesmo com o esforço genocida e etnocida, as heranças indígenas seguem vivas nos fazeres e saberes de muitos moradores, como no trançado, e na alimentação à base principalmente de mandioca. O estado de Alagoas conta também com a presença marcante de comunidades de remanescentes quilombolas, protagonistas de histórias de resistência, luta e esperança frente à escravidão do regime açucareiro, central na economia alagoana durante a colonização.

Em Coruripe o açúcar também foi muito presente, entretanto hoje o município também é conhecido pela beleza singular de suas praias e lagoas, entre elas Pontal de Coruripe, o que tem atraído cada vez mais turistas. A cidade ainda conta com o encanto das festas tradicionais de de Bom Jesus dos Navegantes, da padroeira Nossa Senhora da Conceição e de São Sebastião, além do Festival do Côco.

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