A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Artesanato Belas Artes


Os coqueirais que compõem a bela paisagem de Porto de Pedras são fonte da matéria prima utilizada pelas artesãs na criação de suas peças.

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Telefone (82) 9444-8054
Contato Laudinete Maria dos Santos
Rua Luiza Ferreira Dorta, 789, CEP 57945-000, Porto de Pedras – AL

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Sobre as criações

Crédito da foto: Manoel Carvalho

Os coqueirais que compõem a bela paisagem de Porto de Pedras são fonte da matéria prima utilizada pelas artesãs na criação de suas peças. A colheita é realizada por um grupo de mulheres responsáveis pela aquisição e beneficiamento da matéria prima. Do centro das folhas os talos são retirados finos, postos para secar e preparados para o tecer.  

O tear horizontal utilizado é de origem indígena, espécie de quadro de madeira com pés em formato de cavaletes. Como ferramentas para o tecer, que é feito na junção da fibra com linhas de algodão, utilizando os chamados bilros como suporte para a reserva dessas linhas. Desse tecer temos a esteira, que é a base para todos os produtos que criam, desde sousplat à abajures. 

Com olhar atento, Laudinete, hoje presidente da associação, percebeu na técnica ancestral uma possibilidade de geração de renda. Assim aprendeu o ofício com dona Véia, como é conhecida a única senhora que ainda trabalhava com o tear na localidade, e seguiu com a produção inovando e repassando para todas que têm interesse em integrar o grupo. Para além de importante fonte de renda, o trabalho com talo do coqueiro é uma forma de resgate, valorização cultural e preservação ambiental.

Sobre quem cria

Crédito da foto: Manoel Carvalho

Foi no ano de 2007, ao mudar-se do povoado Curtume para o povoado Tatuamunha, que Laudinete achou por bem formar um grupo iniciado com suas primas Adriana e Ariana para trabalharem com a técnica que ela havia aprendido com dona Véia, anos antes em Curtume. No início, tinham dificuldades até para conseguirem comprar os outros materiais necessários para a produção, como arames e linhas. Além disso, era difícil alcançar um mercado justo e interessado, porque o paradisíaco cenário de Porto de Pedras ainda era pouco reconhecido como destino turístico. Ainda assim, prosseguiram acreditando no potencial do trabalho e aos poucos o grupo foi crescendo e sendo reconhecido.

Em 2016 passaram a ter apoio do Sebrae com consultoria em design, precificação, embalagem e venda e foi aí que o grupo estruturou-se e inovou na variedade e usos dos produtos que hoje são encontrados decorando pousadas e restaurantes da região. A Associação Artesanato Belas Artes conta atualmente com 10 mulheres focadas no manejo sustentável do talo do coqueiro e na produção de peças com design inovador. 

Sobre o território

Foto de divulgação Artesol

A pouco mais de 100 km da capital do estado de Alagoas, entre uma larga encosta de pedras e o mar, está localizado Porto de Pedras, que recebe este nome ainda no século XIX por conta de sua paisagem. 

No século XVI a colonização portuguesa contribuiu para a formação do povoado,  organizando em torno da sede da missão franciscana na chamada “Alagoas Boreal”. Local de importante acesso ao mar, o movimentado porto foi palco de inúmeras disputas especialmente no século XVII quando a população participou do movimento contra a ocupação holandesa. 

Rica em história e biodiversidade, Porto de Pedras é um lugar pacato de praias paradisíacas como a de Patacho e Tatuamunha. Sua população vive principalmente de atividades ligadas à pesca e ao turismo. 

O turismo, fomentado principalmente a partir da primeira década do ano 2000, é importante para a geração de emprego e renda do município. Além das praias, a atenção volta-se ao Peixe Boi, astro de Porto de Pedras. 

No ano de 1980 foi desenvolvido pelo CMA (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos) vinculado ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) o Projeto Peixe-Boi, dedicado à pesquisa, resgate, recuperação e devolução do peixe-boi à natureza. A Associação Peixe Boi promove visitações ao santuário que abriga os animais à beira do Rio Tatuamunha.

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