A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Família Alcântara


O Amazonas e suas florestas, os encontros das águas, as cachoeiras, toda a esplendorosa natureza com seus animais são a grande paixão da família Alcântara. E é possível perceber esse amor em cada detalhe de suas peças.

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Manaus – AM

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Sobre as criações

Foto de divulgação Artesol

O Amazonas e suas florestas, os encontros das águas, as cachoeiras, toda a esplendorosa natureza com seus animais são a grande paixão da família Alcântara. E é possível perceber esse amor em cada detalhe de suas peças. E é na fauna amazônica que se inspiram para escolher os animais que irão esculpir. 

O processo de pesquisa é extenso e vai desde a observação, em que estudam o comportamento e os movimentos dos animais, até a busca iconográfica, a partir dos desenhos preliminares. Peixes, cutias, antas, cobras, jacarés, tucanos, araras e outras aves da região, com uma infinidade de propostas de tamanhos, movimentos e situações, além, claro, das onças que seguem sendo as mais procuradas.

Feitas em madeira bruta, sem emendas, as esculturas de todos da família apresentam um grau de realismo que impressiona. Para os “bigodes” dos bichos, usam “bigodes” de gato que as crianças de Manaus levam para eles. O efeito de brilho nos olhos, que parecem de vidro, conseguem com o uso de uma mistura de resinas e colas. 

Sobre quem cria

Foto de divulgação Artesol

A família Alcântara é conhecida dentro do contexto da arte popular brasileira, pelas esculturas de onças. José de Moura Alcântara, nascido em 20 de novembro de 1946, em Careiro, no estado do Amazonas, foi quem deu início a essa história. J. Alcântara, como ficou conhecido, desde criança aprendeu a manusear a madeira, primeiro pintando remos e entalhando portas e painéis, e logo mais, entre os seus 6 e 10 anos, aprendeu a fazer canoas de madeira, com as quais fazia travessias pelos igarapés da região. 

A medida em que foi crescendo foi experimentando diferentes atividades: foi motorista de ônibus, de táxi, pintor de letreiros para casas comerciais, pintor de “paisagens amazônicas” para bares, restaurantes e hotéis. Até que se estabeleceu em uma oficina de móveis, onde por fim descobriu o ofício, ao qual se dedicaria dali em diante: “encantador” de madeiras. Na pequena marcenaria, em Manaus, aprendeu a montar armários, fabricar cômodas, e aos poucos, a intimidade com a madeira que havia experimentado quando criança, pulsou em suas mãos. Passou a entalhar os armários, acrescentando detalhes como folhas, o que encantou as pessoas.

Um dia, vendo um cisne de louça de sua mãe, resolveu entalhar uma cópia na madeira. Atento às proporções, recriou os detalhes e pintou, dando vida à sua primeira peça, que conserva até hoje na casa de sua mãe como uma espécie de amuleto. A partir daí, passou a observar e a estudar a anatomia de gatos, assim como os seus movimentos, e outros animais muito presentes na floresta amazônica, como a onça, que se tornaria a sua marca registrada. 

José Alcântara passou suas descobertas e conhecimento para os filhos, Jeane Moreira Alcântara (1970), Joe Moreira Alcântara (1971) e James Moreira Alcântara (1976), que ainda crianças aprenderam a desenvolver sua percepção, seu poder de observação, a fazer as suas próprias pesquisas e a desenhar no papel os animais que escolhiam esculpir. Hoje, a família Alcântara, como ficaram conhecidos, demonstram com sua arte uma unidade estética, mesmo que cada um tenha desenvolvido a sua própria expressividade, as suas peças são facilmente identificadas como “Alcântara”.

Sobre o território

Foto de divulgação Artesol

Manaus foi criada no século XVII para demonstrar a presença lusitana e fixar domínio português na região amazônica, já na época considerada posição estratégia em território brasileiro. Hoje, Manaus se mostra como uma metrópole de 2 milhões de habitantes. No lugar da floresta, ergueu-se uma capital de concreto, marcada pela chegada das indústrias após a criação da zona franca durante o regime militar.

Nos bancos do Rio Negro no noroeste do Brasil, é a capital do vasto estado do Amazonas. Trata-se de um ponto de partida importante próximo à Floresta Amazônica. A região de Manaus abarca parques, como a Reserva Florestal Adolpho Ducke e o Bosque da Ciência. Além disso, é possível ver o Rio Negro abraçando a cidade. A leste da cidade, o Rio Negro, escuro, converge para o Rio Solimões, barrento, resultando em um fenômeno visual incrível chamado de “Encontro das Águas” que tanto inspira a família Alcântara. A combinação dos afluentes forma o Rio Amazonas.

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