A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Família Santos 


A família de ceramistas continua a tradição iniciada pelos irmãos Cecílio, Armando e Tamba. Suas peças combinam de forma original elementos populares e religiosos de origem católica e do candomblé.

Mostrar contatos

AbrirFechar

Os contatos devem ser feitos preferencialmente via Whatsapp.

Telefone (75) 98856-1130
Contato Florisvaldo Ribeiro dos Santos
Ladeira Benjamin Constant, 62 – Centro, CEP 44300-000 , Cachoeira – BA

A Artesol não intermedeia relações estabelecidas por meio desta plataforma, sendo de exclusiva responsabilidade dos envolvidos o atendimento da legislação aplicácel à defesa do consumidor.

Sobre as criações

A família cria no barro esculturas figurativas de animais, como galinhas de angola, pombas e outros pássaros, cenas típicas da cidade e também com temática religiosa. Dentro deste tema, o que mais chama a atenção é o sincretismo” entre elementos do catolicismo e do candomblé, forte característica cultural do município de Cachoeira. 

Entre todas as figuras, Exu é o mais característico. Essa forma de representação do orixá seria uma criação de Mestre Tamba, que mesclou criativamente a imagem de Exu (cores pretas e vermelhas e pênis avantajado), com o diabo cristão, adicionando chifres.  

Outra representação muito original são as barcas que transportam vários Exus. Carregada de simbolismo, traz camadas de significados referentes à diáspora africana, ao tráfico negreiro e à cosmologia de povos africanos. 

A família coleta o barro do quintal de casa, como faziam Mestre Tamba e Armando. Mas a forma de produção foi aperfeiçoada ao longo do tempo. Em 2017, participaram de um projeto de capacitação e, com a verba, conseguiram construir um forno que permite uma queima com mais qualidade das peças. 

Crédito da foto: Theo Grahl

Sobre quem cria

Contam que o trabalho figurativo começou com 3 irmãos: Armando, Cecílio e Cândido Santos Xavier, mais conhecido como Tamba. De acordo com historiadores locais e a tradição oral, eram filhos de um pai de santo conhecido como Chiquinho de Babá, que fazia louças de barro para os cultos de candomblé.  

Na década de 1970, os irmãos viviam na Ladeira Manoel Vitória, em um bairro chamado antigamente de Recuada, local historicamente ocupado por populações negras e lugar de origem de vários candomblés de Cachoeira. A produção das figurinhas de cerâmica começou quando Armando aprendeu a modelar com uma professora e repassou para os irmãos. Faziam peças pequeninas de presépios, que eram vendidos para a população local e para turistas. 

Dos irmãos, Cecílio deixou poucos registros e faleceu primeiro. Tamba é o mais conhecido de todos e quem tem peças identificadas em coleções de museus. Não casou nem teve filhos. Armando teve filhos e a continuidade da tradição na atualidade deve-se aos seus descendentes, que guardam os conhecimentos e repassam as técnicas para as próximas gerações. 

Armando casou-se com Matilde, com quem teve Expedito, Pedro e Wanda. Criou os filhos e netos modelando o barro. Seu filho Pedro Jesus dos Santos casou com Alenticia Bertoza Ribeiro e teve Florisvaldo, Marilene e Márcia, artesãos que hoje sabem modelar seguindo o repertório da família. 

Florisvaldo Ribeiro dos Santos começou a modelar por volta dos 5 anos, aprendendo com o pai. Recebeu a alcunha de “Flor do Barro” com 18 anos, quando participou da primeira exposição. 

Crédito da foto: Theo Grahl

Crédito das fotos: Theo Grahl

Sobre o território

Cachoeira está localizada na margem esquerda do Rio Paraguaçu, no Recôncavo Baiano. Na colonização, os primeiros engenhos de açúcar começaram a ser instalados no século XVI, mas uma ocupação urbana só começou a ser instalada na segunda metade do século XVII devido à grande resistência dos povos indígenas que habitavam a região. 

A economia do local é historicamente agrária, especialmente dedicada à cultura do tabaco. Entre os séculos XVII e XIX, africanos de diferentes etnias (angola, jeje, mina, nagô, benguela) foram traficados até a região para trabalharem como mão de obra escrava. 

A criação de irmandades era uma prática na região, característica da colonização portuguesa. Haviam irmandades específicas para cada grupo social, como é o caso da Irmandade da Boa Morte. A conversão ao catolicismo era imposta aos africanos e seus descendentes, mas por meio da resistência, esses grupos mantiveram suas práticas religiosas. Assim, os ritos do candomblé e do catolicismo eram praticados em paralelo e sem nenhuma contradição. Assim, o catolicismo popular de Cachoeira absorveu histórias e ritos de origem africana, enquanto o candomblé absorveu histórias e ritos do catolicismo. 

O conjunto arquitetônico e paisagístico de Cachoeira foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1971. 

Crédito das fotos: Theo Grahl

Membros relacionados