A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Mestre Petrônio – José Petrônio Farias dos Anjos


As peças e esculturas de Mestre Petrônio são a materialização do seu fértil imaginário que contagia e impressiona quem vê. Imensos lagartos, formas retorcidas, criaturas mágicas que transportam para outro universo.

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Contato José Petrônio Farias dos Anjos
Ilha do Ferro, Pão de Açúcar – AL

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Sobre as criações

Crédito da foto: Michel Rios

Crédito das fotos: 1-3. Michel Rios / 4. Divulgação Artesol

Mestre Petrônio seguiu o caminho do mestre Fernando, brincando com as formas que a própria natureza tem. Caminha pela mata com os olhos atentos. Olhos acostumados a ver muito além do que estamos acostumados a enxergar. “Eu amo andar no mato, sou bicho do mato, dos afluentes, falando com os animais. Quando eu estou trabalhando a mente está vazia”.

Na mata busca madeira morta, galhos, raízes e nelas vê animais, formas e seres que vão ganhando mais nitidez e vida em suas mãos. “É o processo da paciência. Não tenho ambição. É você chegar e olhar raiz velha, tronco. Às vezes acontece de você andar um dia inteiro na mata e não encontrar nada e tem dia que no seu quintal você encontra uma forma linda”.

Suas peças e esculturas são a materialização do seu fértil imaginário que contagia e impressiona quem vê. Imensos lagartos, formas retorcidas, criaturas mágicas que transportam para outro universo.

Sobre quem cria

Crédito da foto: SEDETUR

José Petrônio Farias dos Anjos, o Mestre Petrônio, nascido e criado em Pão de Açúcar, já desde criança fabricava os próprios brinquedos, assim como os irmãos. Cresceu aprendendo os ofícios de pescador e de agricultor. Seu pai, já falecido, era fotógrafo e ele o acompanhou também muitas vezes para tirar fotos em eventos, como festas e cerimônias de casamento. Quando se casou, em 2001, surgiu a oportunidade de entrar em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Decidiu então montar um barraco de lona em um acampamento, onde viveu por 7 anos. Quando conseguiu uma terra, já estava atuando como artesão e ele e a esposa decidiram voltar para Pão de Açúcar.

Hoje, o acampamento se tornou um assentamento que reúne muitos artesãos que começaram a entalhar a madeira, inspirados nele. No início de 2002, conheceu o mestre Fernando Rodrigues que foi seu grande professor e incentivador. Seu Fernando lhe lançou o desafio de fazer um ex-voto (objetos oferecidos como presente ao santo de devoção, como retribuição de uma promessa). Petrônio fez e mestre Fernando passou a comprar dele essas peças. 

Na época, seu Fernando pagava por uma peça o que Petrônio recebia por um dia de trabalho nas roças que o contratavam. 

“A minha primeira faquinha quem me deu foi seu Fernando, pra me incentivar a trabalhar”.

Aquele desafio aceito foi o primeiro passo de uma caminhada linda que Petrônio tem percorrido há 12 anos em encontro à sua arte. Uma das coisas mais importantes que o mestre Fernando lhe ensinou, segundo Petrônio, foi quando lhe disse: “você senta no pé de uma árvore, e fica olhando e se você for um artista você vai ver coisas”. Assim fez e segue fazendo, dedicando a sua vida à contemplação, à integração com a natureza ao seu redor; e suas peças comunicam isso. Hoje, seu filho Yang segue a inspiração que o pai lhe traz, se desenvolvendo cada dia mais na sua arte.

Além de artista, Petrônio segue atuando na pesca artesanal e hoje possui o seu tão almejado pedaço de terra, onde planta e faz mudas de Ipê, Mulungu, Angico, Monjola e dá para as pessoas replantarem.

Ainda em 2002 foi convidado pela Secretário de Cultura da época para fazer a sua primeira exposição, em um evento de hotelaria. Em 2014, foi ganhador do prêmio Gustavo Leite, de melhor artesão do ano. Suas peças se encontram por todo o Brasil e no exterior, como Inglaterra, Itália, Alemanha, Portugal, entre outros países.

Sobre o território

Foto de divulgação Artesol

A Ilha do Ferro é um pequeno vilarejo banhado pelo Rio São Francisco no sertão alagoano. Fica a 18 quilômetros do município de Pão de Açúcar e geralmente é acessado por barco, tendo em vista a precariedade da estrada. O cenário à beira-rio parece ter saído de um filme. Ainda há carros de boi, crianças brincando na rua, lavadeiras lavando suas roupas no São Francisco, artistas entalhando a madeira, as mulheres que bordam sentadas na calçada e os inúmeros artistas populares, mestres e artesãos que entalham a madeira, criando as mais variadas formas e objetos.

A arte popular que hoje é um importante atrativo do lugarejo, foi semeada pelo falecido mestre Fernando Rodrigues que inspirou muitos, como Petrônio, a seguir o artesanato tradicional. 

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