A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Cabocla Milena Curado


Os versos de Cora Coralina, poetisa da cidade de Goiás Velho, reverberam nas histórias das mulheres bordadeiras do projeto Cabocla Criações.

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Sobre as criações

“Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior…. em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa”.

Trecho do texto “Sou feita de Retalhos”, de Cora Coralina
Foto de divulgação Artesol

Fotos de divulgação Artesol

Os versos de Cora Coralina, poetisa da cidade de Goiás Velho, reverberam nas histórias das mulheres bordadeiras do projeto Cabocla Criações, renomeado de Cabocla Milena Curado. Da união dos saberes dessas mulheres com as técnicas dos pontos de bordado que a avó da fundadora do grupo fazia, passadas a elas, o grupo pôde explorar ainda mais seu potencial criativo na produção das peças. O bordado a mão, que remonta aos séculos passados, tem ganhado novas formas e novos usos no presente. É pelas mãos do grupo que a poesia ganha novos contornos e motivos nos vestidos, saias, batas, bolsas, aventais, almofadas, porta-treco, carteiras, porta-travesseiros, capa de cadernos, agendas, porta-vinhos, porta-guardanapo, quadros bordados, entre outros produtos.

Sobre quem cria

Foto de divulgação Artesol

“Para mim, empreender só faz sentido se você conseguir transformar vidas. Tem que somar, que multiplicar para construirmos um mundo melhor”.

Milena Curado

A história do grupo começa em 2007, quando Milena Curado de Barros decidiu abrir uma loja em Goiás Velho para vender as peças de vestuário que passou a bordar. Milena aprendeu a bordar aos 8 anos com sua avó Wanda, mas só muitos anos mais tarde retomaria esse conhecimento, para expandí-lo ainda mais, passando para outras mulheres. As peças que traziam em seus bordados elementos culturais da cidade, logo cativaram o público, sendo necessário o aumento da produção.

Pesquisando novas parcerias, priorizando o modo-de-fazer artesanal e criativo das peças, Milena chegou nas mulheres que se encontravam em regime de cárcere na prisão da cidade. Daí nasceu o Projeto Cabocla Criações, um programa de remissão de pena, a partir do qual oferecia uma ocupação, profissão e possibilidade de renda às mulheres. O sucesso com as detentas despertou o interesse do sistema carcerário e da pastoral carcerária, sendo incluídas, um tempo depois, as esposas de detentos e os próprios detentos. Assim, cada bordado do projeto Cabocla Milena Curado carrega consigo o sentido da cidadania e da esperança por uma re-inserção digna na sociedade.

Em 2023 o seu trabalho é reconhecido como patrimônio imaterial do estado de Goiás, reconhecimento costurado a base de arte, poesia e cidadania.

Sobre o território

Foto de divulgação Artesol

No Planalto Central, em uma das formações geológicas mais antigas do planeta, encontram-se as terras que eram habitadas pelos indígenas da etnia Goyaz. Em 1726, chegaram ali os bandeirantes, em busca de ouro. A chegada dos exploradores quase dizimou os goyazes, cuja influência, mesmo com a violência física e simbólica sofrida, segue viva na cultura sertanista a começar pelo nome do estado, “Goiás”.

Nessas terras, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Anhanguera, fundou o arraial de Sant’Anna que anos mais tarde se tornou a capital da Capitania de Goiás durante o Ciclo do Ouro. Na década de 1930, com a construção de Goiânia, deixou de ser o centro administrativo do estado. Com cerca de 25 mil habitantes, a cidade preserva as construções do período colonial, tendo sido o centro histórico declarado como Patrimônio Histórico da Humanidade em 2001, pela Unesco. As casas coloridas e as Igrejas coloniais, além das festas populares, como a tradicional Procissão do Fogaréu, realizada anualmente na cidade, são alguns dos elementos que fazem da cidade um lugar único.

A 135 km de Goiânia, Goiás Velho é atravessada pelo Rio Vermelho, importante afluente do Araguaia, que passa ao lado da antiga casa de Cora Coralina transformada em Museu. O nome do Rio faz referência à sua cor barrenta, resultado da lava originada pelas lavras de ouro que tiveram seu auge no século XVIII. Hoje, além do assoreamento, herança malfadada do ciclo do ouro, o rio ainda sofre com o desmatamento das matas ciliares, que já alcançou quase 80% de suas margens, causado, principalmente, pela agropecuária.

Tal situação tem impactado seriamente o volume das águas durante o período de seca. E, por conta da ausência das matas ciliares, no período das chuvas, há um aumento vertiginoso do volume das águas que ganham velocidade, causando enchentes que têm trazido grandes perdas à cidade nos últimos anos.

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