A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Cleide Toledo


Sobre as criações A taboa é uma planta aquática que cresce, geralmente, nas margens de lagos e pântanos, abundante até mesmo na metrópole onde vive Cleide Toledo. Aprendeu com seu […]

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São Paulo – SP

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Sobre as criações

A taboa é uma planta aquática que cresce, geralmente, nas margens de lagos e pântanos, abundante até mesmo na metrópole onde vive Cleide Toledo. Aprendeu com seu companheiro de vida, Manoel Baptista Neto, a encontrar, selecionar, podar, beneficiar e trançar a fibra da taboa, criando as mais diversas obras. 

A planta é encontrada nos brejos não muito distantes da casa onde vive, na Zona Leste da capital. O trabalho do corte é pesado e oferece muitos riscos, porém é uma etapa essencial no processo. O corte é realizado na base da planta, dessa forma ela torna a crescer e em poucos meses estará outra vez em ponto de corte. 

Com a fibra cortada e organizada em feixes, começa o processo de limpeza e secagem da palha. Após preparada, a taboa é trançada em diversas espessuras e costurando essas tranças é possível criar formas e volumes dos mais inusitados, como o famoso sapo produzido por Cleide. 

A textura das tranças, tonalidades e formas das peças criaram, ao longo dos mais de quarenta anos de trabalho, uma identidade única que registra a história do casal que encontrou na técnica de origem guarani uma possibilidade de construção das suas vidas. 

Foto de divulgação Artesol

Sobre quem cria

Uma história de amor e superação – começamos assim,com a afirmação de Cleide Toledo.

Em meados dos anos 60 o artista e artesão Manoel Baptista Neto, companheiro de Cleide, conheceu a técnica de origem Guarani em uma de suas viagens e decidiu investir no desenvolvimento de trabalhos com a fibra natural abundante em áreas alagadas em todo país. A taboa entrou assim na vida dos dois, que formavam um par perfeito, como conta Cleide. Ela trabalhava na área da saúde e auxiliava Manoel com a parte operacional do processo, tratando a palha, organizando o espaço, fazendo contatos e vendas nas feiras. Com o tempo largou seu trabalho e passou a se dedicar integralmente ao artesanato, fazendo a carteira de artesã da Sutaco e da Feira da Praça da República, a feira de maior referência da cidade na época. 

Ainda que envolvida em todo processo, o trançado e costura das peças eram etapas dominadas somente por Manoel, que afirmava com frequência que ela também deveria aprender – “não estarei sempre aqui”, dizia.

Foto de divulgação Artesol

Antecipar a morte é coisa que não se faz, ainda mais a partida de um grande amor. Assim, Cleide resistiu e insistiu que aquele era o papel de seu companheiro. Porém, no ano de 2005, com a saúde já bastante debilitada, Manoel foi internado.

O artesanato era o único sustento da família e com esse grande desafio Cleide se viu obrigada a aprender. As tranças que via saírem das mãos de Manoel de forma já tão ensaiada, pareciam resistir às dela. Com persistência, reproduzindo o gesto do marido, conseguiu trançar para uma encomenda enquanto Manoel estava internado. Em um período de alta, ele a ensinou a costurar o vaso e assim conseguiram entregar o pedido. 

Ao longo do ano o estado de saúde complicou-se e em agosto de 2006 Manoel partiu. 

“Graças a Deus eu tinha medo. Além de tudo eu tinha medo. O medo me moveu a seguir a vida”.

Cleide assumiu os negócios, perseverando em suas possibilidades. Sempre foi muito envolvida no cenário do artesanato paulista, e todo o seu trabalho tanto como artesã, quanto como articuladora, foi aos poucos sendo reconhecido lhe rendendo lindos frutos. 

Após quarenta anos dedicados ao trançado da taboa, recebeu o título de Mestra Artesã pelo PAB (Programa do Artesanato Brasileiro) através do Projeto Mestres da Arte e do Artesanato e coleciona em seu ateliê títulos, matérias de revistas, teses e muitas fotos de projetos dos quais participou. 

É curadora dos cenários do Sr. Brasil, programas e shows produzidos e apresentados por Rolando Boldrin, uma figura de imensa relevância na valorização da cultura popular brasileira. Além disso, promove o artesanato através do projeto Artesanato Sustentável, que divulga nas redes sociais. Com isso, divulga muitos colegas artesãos e artesãs de todo país, ajudando a fortalecer o cenário do artesanato e valorizar nossa produção cultural. 

Sobre o território

Difícil imaginar que na maior cidade do país seja possível encontrar uma fibra natural como a taboa para produzir artesanato. Mas a verdade é que muitos dos brejos, como são chamadas as áreas alagadas próximas aos rios, conservam essa vegetação. Um habitat de aranhas, cobras, mas que não intimidou Cleide, tampouco foi empecilho para dar continuidade ao seu trabalho. 

Nos dias de colheita, ela se dirige ao bairro dos Pimentas, próximo a Guarulhos, na Rodovia Ayrton Senna. Conta que com o passar do tempo, as regiões de brejo foram ficando mais  mais escassas. “A metrópole vai avançando, aterrando os brejos para construir sobre eles”. 

É um trabalho de reconhecimento e valorização da própria história, resistência e luta pelo artesanato que a mantém nesse cenário muitas vezes adverso, mas que revela tantas preciosidades e belezas.

Foto de divulgação Artesol

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