A Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro é uma iniciativa da Artesol, organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso. Seu objetivo principal é promover a salvaguarda do artesanato de tradição cultural no Brasil. Por meio de diversas iniciativas, a Artesol apoia artesãos em todo o país, revitaliza técnicas tradicionais, oferece capacitação, promove o comércio justo e dissemina conhecimento sobre o setor.

Artesãs da Linha Nove


Sobre as criações As bordadeiras, especialistas em reinventar o mundo, o colorindo com beleza, desenvolvem bordados que já homenagearam a Amazônia, o Pantanal, as árvores e pássaros brasileiros, entre outras […]

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Sobre as criações

Foto de divulgação Artesol

As bordadeiras, especialistas em reinventar o mundo, o colorindo com beleza, desenvolvem bordados que já homenagearam a Amazônia, o Pantanal, as árvores e pássaros brasileiros, entre outras coleções. São toalhas de mesa, almofadas, carteiras, bolsas, cestas de piquenique, jogos americanos, panos de prato, toalha de lavabo, colares e necessaires, bordados sobre tecido, algodão ou linho, pintado ou cru. Suas peças, além de serem exclusivas, são muito especiais, pois representam as histórias de vida e a cultura de cada bordadeira, sendo, assim, carregadas por uma brasilidade profunda e verdadeira.

Sobre quem cria

Foto de divulgação Artesol

O projeto Bordadeiras da Linha Nove é resultado de uma das atividades propostas pelo Instituto Acaia que atende crianças e jovens de 3 a 18 anos das comunidades do bairro Vila Leopoldina. O que começou como uma reunião noturna de bordados com as mães das crianças que frequentavam o Instituto, acabou por se tornar um grupo de artesãs que fizeram da técnica e do encontro coletivo, sua casa e seu ganha pão. As cerca de 30 mulheres encontraram no bordado uma prática de resistência, fortalecimento e de possibilidade de viver relações de solidariedade. Bordar se tornou uma prática de tecer um pouco de paz dentro dos corações sobrecarregados por tantas violências que as mulheres suportam todos os dias.

Iniciado em 2006, dois anos mais tarde, o grupo começou a receber encomendas e hoje comercializam seus trabalhos participando de bazares, produzindo para lojas e designers. O Instituto Acaia é uma organização sem fins lucrativos, formado por um conjunto de ateliers que há onze anos oferece atividades pedagógicas e artísticas para as crianças das comunidades do bairro. Inicialmente, o acolhimento estava voltado para as atividades artísticas e com o tempo abarcou também questões enfrentadas pelas famílias em relação à alimentação e saúde, assistência jurídica, pedagógica e familiar.

Sobre o território

Foto de divulgação Artesol

As bordadeiras da Linha Nove são moradoras da favela da Linha, favela do Nove, duas das maiores favelas de São Paulo, e do conjunto habitacional Cingapura Madeirite. Todas ficam no bairro Vila Leopoldina, no entorno da CEAGESP, Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo. Criada em 1969, a partir da fusão do CEASA, Centro Estadual de Abastecimento, e da CAGESP, Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo, a CEAGESP é, hoje, o maior entreposto de frutas, verduras e flores da América Latina.

A Companhia movimenta mais de 10 mil caminhões por dia, emprega e subemprega milhares de pessoas no trabalho dos boxes, carregamento e descarga de caminhões e na confecção de caixas. A relação das comunidades com a feira e o intenso movimento de caminhoneiros, principalmente, que transitam na região, é marcada pela exploração sexual, pelo uso e venda de drogas. A Favela da Linha nasceu sobre a antiga linha ferroviária que abastecia as empresas Votorantim na década de 1960. Hoje, vivem cerca de 350 famílias, em barracos de madeira, dispostos nos vagões e trilhos, junto à Marginal do rio Pinheiros. A favela do Nove, que recebe este nome por terminar no portão nove do Ceagesp, é remanescente da antiga Favela do Sapo que foi transformada no conjunto habitacional de baixa renda Cingapura Madeirite. A Favela do Nove, onde se encontram cerca de 270 famílias, reconstituiu-se a partir de alguns barracos que ficaram depois da ocupação dos prédios do conjunto habitacional Cingapura, onde vivem cerca de 400 famílias.

Apesar das comunidades estarem no bairro Vila Leopoldina, que conta com uma boa estrutura urbana, com acesso à rede de transporte, parques, escolas públicas e posto de saúde, os moradores não conseguem desfrutar esses espaços em momentos de lazer, no tempo livre, pois ficam confinadas na favela. Além disso, a população tem sofrido grande pressão nos últimos anos do mercado imobiliário que tem interesse em liberar as áreas ocupadas pelas Favelas para a construção de prédios voltados para as classes mais favorecidas. Com contexto político e econômico que favorece a especulação imobiliária, os moradores têm convivido diariamente com o medo de serem expulsos ou removidos.

Em 2006 o Instituto Acaia coordenou a abertura do processo jurídico de “usucapião” do lote da Linha, para garantir a propriedade da terra aos moradores. O processo ainda está em curso, mas foi o primeiro passo para pressionar o poder público a se envolver e se responsabilizar com a infraestrutura urbana e de moradia das Favelas. Neste processo, os moradores fundaram a primeira associação de moradores que tem refletido em um movimento de busca por autonomia no envolvimento e gestão das questões da comunidade.

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